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Ferreira:
empreendedor, dirigente e padeiro

Algumas pessoas tem uma participação importante na história da cidade e são pouco lembradas. São despercebidas. Mas deixam um marco na memória daqueles que conviveram com elas, ou daqueles que tomaram conhecimentos de seus feitos. É o caso do Ferreira, como era conhecido José Ferreira da Silva, franco-rochense  que dedicou grande parte de sua vida ao esporte local nas décadas de 60 e 70.

Eu ainda era garoto e já ouvia falar dele. Ele comandava o Botafogo, um time de futebol da Vila Bazu. Era composto por grandes jogadores da época, como Caranguinha, Noir, Nazaré, Neguinho, Bozó, Tamba e Dudu, para citar alguns. Esse time quando jogava contra o Flamengo da Vila Ramos – meu bairro natal – encantava os torcedores que iam assistir aos jogos de futebol no final de semana.

Naquela época não havia tanta alternativas de diversões como hoje, e a maioria da população masculina fazia do futebol sua principal atividade recreativa aos sábados e domingos. Eu era um desses.

Também nessa época, os desfiles cívicos atraiam a atenção dos franco-rochenses, e os bairros se preocupavam em fazer bonito nessas ocasiões, se dedicando em enfeitar carros alegóricos e buscando temas para os desfiles de 7 de setembro e 30 de novembro.

A Vila Ramos era o bairro que fazia frente ao pessoal do centro da cidade que detinha maior poder econômico e tinha mais condições de caprichar nos desfiles. O Ferreira havia adquirido a padaria do Nilo Tonin e se tornado presidente do Esporte Clube Flamengo da Vila Ramos. Para reforçar o time ele havia trazido todos aqueles atletas maravilhosos do Botafogo da Vila Bazu para jogar no Flamenguinho, como era mais conhecido o clube da Vila.

E no desfile cívico do dia 30 de Novembro de 1969, dia da emancipação político-administrativa de Franco da Rocha, ele decidiu investir mais nesse evento e na reunião semanal da diretoria do clube convocou todos os flamenguistas para participarem da organização desse desfile.

Ele tinha uma Rural Willis, um utilitário que usava para entregar pães e colocou o veículo a disposição do clube para ser usado nesse desfile. Uma equipe foi montada pelo Dito Hernandez, filho do Sr. Emílio Hernandez – prefeito na época – para ornamentar a Rural Willis do Ferreira como se fosse uma locomotiva da Bragantina, ideia do Sr. Alair, que era ex-ferroviário e morador, vizinho do clube.

Fui convocado para pintar e caracterizar o veículo que serviu de chassis para uma adaptação à base de madeira e Madeirit, material disponível na época. Para fazer isso foi convocado o marceneiro Zé Quintanilha que também montou uma réplica da igreja da Vila Ramos em madeira e foi exibida no desfile em cima de um caminhão. Lembro-me que pintei o número 27 na lateral da locomotiva. Devia ser alusivo ao ano da emancipação do município. 

Representando um vagão de trem foi utilizado um trator agrícola do japonês, proprietário de um sítio vizinho ao bairro da Vila Ramos, lá pros lados da Vargem grande, estrada do Mato Dentro. No interior do vagão, que foi montado em cima de uma carretinha, seguia o grupo de músicos que frequentavam o Bar do Fredolino.

O que pouca gente sabe é que foi o Ferreira o responsável pela aquisição daquele espaço composto por três lotes do terreno, ao lado da praça Antonio Teixeira, onde  hoje está edificado o Ginásio de Esportes do Flamengo e que leva o nome de Dito Hernandez – outro presidente do clube – que iniciou a construção do mesmo ginásio. Graças ao Ferreira e ao Dito Hernandez, o clube é um dos poucos da cidade a ter um ginásio de esportes construído às custas de esforço próprio, e em terreno adquirido por iniciativa particular.

Com o passar do tempo o Ferreira deixou o Flamengo e passou a se dedicar mais em sua padaria. Mudou inclusive o formato do empreendimento. Passou a produzir pão de queijo e salgados que são distribuídos em toda a região e até em aeroportos.

Outro dia encontrei com o Baixinho, um dos funcionários da padaria, e perguntei pelo Ferreira. Ele ficou por instante, pensativo, e depois me informou que o Ferreira havia falecido havia um mês. Fiquei muito triste. Não sabia.

Texto: Benedito Coutinho

fretado

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